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Visconde de Mauá - Pinheiro do Paraná

Meio Ambiente

Pinheiro do Paraná

Conheça a Araucaria angustifólia

Luciano Jardim - 21/12/2009

Foto:GuiaMauá

O Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifólia), é espécie de grande importância para os ecossistemas naturais das regiões de matas de altitude, que se encontram nos domínios da Mata Atlântica, dentro do território brasileiro. Essa importância vai além do fato da espécie produzir sementes (pinhões) comestíveis, com grande valor protéico tanto para a fauna regional quanto para o ser humano, está também na relação direta e indireta que a espécie possui com outros vegetais e animais. A manutenção da cobertura do solo evitando processos erosivos e o consecutivo assoreamento dos rios, é um entre muitos outros fatores benéficos que este vegetal milenar promove em nossos ambientes naturais.

Venho observando que está sendo distribuído licenciamento para o corte de vários indivíduos da espécie que possuem idades variadas de 20 a 100 anos. O argumento para tal licença se baseia principalmente por esses indivíduos estarem próximos das residências. Ora, o pinheiro não andou e se instalou ao lado da casa do cidadão para depois promover-lhe o risco de queda e ai ser cortado. (seria suicídio!), foi o cidadão que construiu sua casa embaixo do pinheiro centenário, promovendo ele próprio os riscos descritos.

O caso fica um pouco mais grave, quando observo que não há nas autorizações emitidas um laudo com argumentos técnicos quanto aos motivos para a emissão da autorização, ficando claro que a proximidade da casa é o fator principal, ou seja, “ ocupação desordenada do solo, e uma administração pública que não funciona.”.

Outro fator considerado para se adquirir a autorização de corte do Pinheiro, é que, o possível moribundo, seja “Pinheiro macho”.

Um pinheiro fêmea para poder produzir pinhões deve ser fecundado pelo macho, pois é raro na natureza pinheiros que possuem os dois sexos, e se autofecundam.

Além disso, o pinheiro macho não deve estar distante da fêmea mais que 500 metros. Isto porque, a fecundação ocorre através da ação dos ventos que transporta os chamados “mingotes” (órgãos masculisnos) até as fêmeas. Distâncias maiores, promovem a perda dos “mingotes” nos campos, que ficam caídos no chão sem possibilidade de fecundar as fêmeas.

Não observo preocupação de fazer uma análise técnica e criteriosa na região onde está sendo pedido a autorização para corte, para diagnosticar a influência que o pinheiro macho possui em relação aos pinheiros fêmeas que se encontram próximos.

Para se ter uma idéia da importância de se conhecer esse detalhe técnico e utiliza-lo na prática para os licenciamentos, basta falar que, em todas as regiões, possuem em determinadas épocas, ventos dominantes. Aqueles que estamos acostumados no dia a dia, ventos que passam pelos mesmos lugares e na mesma direção. Portanto fica simples entender que se existe um pinheiro macho no oeste, um pinheiro, fêmea no leste os ventos dominantes necessariamente precisariam ser na direção oeste-leste, para que os “mingotes” do macho possam atingir as inflorescências (flores) da fêmea e ai fecunda-la na época certa. Se caso aconteça o contrário, com os ventos dominantes soprando leste oeste, a fecundação não ocorrerá, pois os “mingotes” do macho irá para mais distante da fêmea, chegando a cair no chão e se perder nos campos.

Perto de onde moro, pude observar em um raio inferior a 1 km, o licenciamento para o corte de pelo menos 8 (oito) Pinheiros do Paraná, todos eles Machos.

As autorizações, parecem desconhecer essas características de importância indiscutível, pois pessoalmente, pude observar algumas dessas autorizações que não se explicam técnicamente, e que apenas obriga o proprietário a plantar novas 5 a 10 mudas de pinheiro, e que o mesmo terá a responsabilidade de cuidar dessas espécies ao longo de 2 (dois) anos. Ora! e os outros anos? Não precisa cuidar mais????!!!!

Estamos entrando em um momento crítico!!. Por um lado, existe a necessidade do homem em se estabelecer em uma região de APA como a nossa, e por outro, a necessidade cada vez maior de se preservar o ambiente e principalmente as árvores, que formam a floresta e trazem condições para um ambiente equilibrado.

O problema é que o cidadão, não ciente da gravidade de sua ocupação desordenada, já entendeu que, quando ele tem uma casa embaixo de uma árvore, ele pode pedir para cortá-la que vai conseguir, pois ai entra as questões relacionadas ao direito do cidadão.

Lembro que, não é a árvore que criou o perigo ao homem e sim ele próprio se colocou em situação de risco.

É certo que um dos maiores problemas relacionado a este fato, é a divisão sistemática das grandes fazendas antigas da região. Se continuarmos a vender terrenos com 500m², 1.000m², 2.000m² ou coisa parecida, é certo que aquele alimento abundante em tempos de outrora, será escasso ou extinto.

Edificações estão sendo construídas na APA Mantiqueira em um processo desordenado que compromete não só as matas de pinhais, quanto a disponibilidade de água de qualidade para toda a população.

Somente a fiscalização dos órgãos competentes não esta sendo suficiente. O cidadão precisa colaborar, entendendo melhor a importância dos vegetais para nossas vidas e o ambiente como um todo. Reconhecer os órgãos como nossos parceiros e não adversários, sendo a recíproca verdadeira.

A importância de uma ocupação melhor ordenada e um estudo mais minucioso em cada caso, é de extrema e urgente importância para que não possamos nos surpreender no futuro com a falta de pinhões em nossas espécies fêmeas.

Pesquisa:
Livro: O Pinheiro brasileiro, de João Rodrigues de Mattos, 1994.

Luciano Jardim
21.12.2009

 

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